Muito se fala nos benefícios dos mega eventos desportivos e do impacto que estes têm para o país. Que são potenciadores de desenvolvimento para determinadas zonas menos conhecidas, ou mais carenciadas de infra-estruturas, que colocam Portugal no escaparate dos media internacionais, que bla bla bla bla bla, um sem número de justificações mais ou menos credíveis, mais ou menos válidas para apoiar decisões (muitas vezes) políticas – felizmente nem sempre.

Euro 2004

Red Bull Air Race

Circuito da Boavista

Moto GP

Rider Cup (em fase de candidatura)

Volvo Ocean Race

Lisboa Down Town

Rip Curl Pro Search

Estoril Open

(entre outras)

Iniciativas que nascem muitas vezes de boas ideias de uns poucos bem intencionados, interessados em promover e desenvolver determinada modalidade, mas que acabam por assumir determinada dimensão que lhes escapa ao controlo.

Em termos de benefícios, realmente poderão haver alguns, nomeadamente na visibilidade do clube, empresa, autarquia, região, país, exposição pessoal e/ou colectiva dos promotores e patrocinadores. Poderá haver algum retorno turístico, normalmente não tanto quanto o esperando, apontando-se o retorno a longo prazo como justificação para o investimento, aumentando consideravelmente a intangibilidade da sua quantificação e permitindo que caia no esquecimento da memória colectiva.

Neste pais o turismo é justificação para tudo, mesmo que seja duvidoso o retorno, inclusivamente para o apoio incondicional a grandes eventos desportivos. Desenvolve-se a oferta turística, as infra-estruturas, a imagem global à conta do Desporto e pergunto eu: e o que se desenvolve do Desporto?

– Quais os benefícios para as modalidades envolvidas?

– Onde estão os projectos de massificarão da actividade física e desportiva, formal e informal?

– Onde está o aumento do número de jovens praticantes?

– Onde estão os planos de competitividade internacional, ou mesmo os resultados?

– Onde está o acesso generalizado à grande maioria das infra-estruturas desportivas, e não só, criadas para estes eventos?

– Onde é que o Desporto ganha? Onde? Alguém me explica?

Não sou contra os grandes eventos, desportivos ou não, antes pelo contrário… acho que podem ser tudo aquilo que dizem que virão a ser, acima de tudo se forem bem “projectados” e com visão de futuro, mas não podem estes projectos esquecer o que os alimenta: o Desporto – neste caso concreto.

Sou defensor e consumidor destes eventos, mais do que não seja pela promoção da auto-estima, até porque os conseguimos fazer muito bem e pelo menos com impacto significativo no momento da sua realização (o que não significa retorno) e somos reconhecidos por isso. Mas há que ter consciência e alertar que por traz há um fosso tremendo, que um Euro 2004 não é a realidade diária de Portugal.

Em Portugal o desporto é literalmente abusado. Há que de uma vez por todas pensar em utilizar estes eventos para todos os fins e mais algum, mas começando pelo mais importante de todos… a potenciação (real) da prática de actividades físicas e desportivas. Deveria a ser o Desporto a usar estes eventos para se servir e não o contrário.

O Desporto MARCA Portugal, mas Portugal MARCA muito pouco o Desporto!

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